segunda-feira, 25 de julho de 2011

escuridão.

A noite caía sobre mim e ali fiquei. Chorava e implorava para que isto não tivesse acontecido. Não existiam estrelas no céu, era noite de lua cheia e eu estava ali tão só... naquele calçado de madeira, onde  eu te vi pela primeira vez. Ali era o meu ponto de luz. Aquele lugar era o meu refúgio, o meu estilo de vida. O tempo ia passando, e a cada segundo que passava uma lágrima caía. Lembrava-me dos momentos que passei contigo. A pessoa de quem eu mais gostava tinha acabado de morrer. Deu-me uma vontade de desaparecer, fugir do mundo. Estar sozinha era aquilo que eu mais queria. A minha força de viver, a minha alegria e esperança morreram na hora em que ele caiu naquele caixão. Agora que o perdi, sinto que não tenho forças para seguir em frente... para continuar a sonhar. Ele era a magia da minha vida, era a cor da minha alma. É tarde para lhe dizer o quanto o amava. Amava-o mais do que o normal. O meu amor por ele era maior que o amor que eu poderia sentir por alguém neste mundo. Eu vivia, porque o tinha do meu lado. O sorriso dele era a minha felicidade, mas no momento em que caiu naquele caixão, a minha alma lavada em sofrimento chorava ao ver que o tinha perdido. Escorregava da mão do meu pai e ia caindo aos poucos.. até que acabei por cair no chão e como se não existisse um amanhã, peguei um pouco daquela terra que cobria o chão e atirei-a para longe. Repentinamente levantei-me e fugi dali. Não estava a aguentar tal momento. Um momento doloroso. Talvez o pior momento da minha vida. Quando corria já não sentia o vento a bater nos meus cabelos, já não sentia as pestanas a baterem nem o sangue a correr. Longe do mundo. Só aí eu podia senti-lo, só aí eu sabia que ele me ouvia. Quando fechava os olhos podia ver o sorriso dele, e a voz meiga e doce que ele tinha a dizer: “eu estou aqui, estarei ao teu lado sempre que chamares por mim”. Eu não queria mais nada deste mundo, apenas aquilo que realmente me fazia sentir viva, aquilo que me fazia ouvir a brisa do vento pela manhã. Não sei se ainda me ouves, não sei se ainda me compreendes, não sei se ainda sentes o mesmo que eu, mas mesmo assim peço conforto de quem eu fugi. Perdida e esquecida neste calçado de madeira. O nosso ponto de luz. O lugar dos nossos encontros, brincadeiras, sorrisos, onde só nós entendíamos os nossos olhares e aquele meu coração que tanto batia por ti. Esse coração levaste metade dele contigo. O resto que sobrou grita e chora todos os dias, porque precisa de ti.

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